O time entrou em campo. Era pra ser a final do campeonato, mas virou um espetáculo tragicômico de tudo que o futebol e uma arbitragem não deveriam ser. A torcida lotou o estádio, esperando um jogo limpo, disputado na bola. Mas logo no primeiro apito, ficou claro: o juiz tinha um lado.
E não era o time da imparcialidade. O árbitro soprava firme o apito como um mestre de maracatu, qualquer aproximação do adversário era falta, qualquer tropeço do seu time era pênalti. E lá estava ele para bater e depois sair correndo pelo gramado como dono da bola e do placar. A torcida se indignava:
"Juiz ladrão! Cadê o VAR?!"
Mas o VAR já tinha sido desativado. Segundo o juiz, a imagem atrapalhava sua interpretação dos fatos.
Os bandeirinhas? Dois fiéis escudeiros, acenando suas bandeiras como bonecos de ventríloquo. Sempre na mesma direção, sempre confirmando o que o juiz queria. Impedimentos inexistentes, faltas imaginárias, pênaltis marcados por telepatia. No fim, o jogo virou um verdadeiro teatro de absurdos.
E quando o time adversário esboçou uma reação e finalmente marcou um gol legítimo, o juiz fez um gesto solene, apontou para o centro do campo e... anulou o lance. Motivo? “Razões superiores”.
A revolta crescia nas arquibancadas. O povo gritava, vaiava, exigia um jogo limpo. Mas o apito soava como uma ordem de silêncio.
O grande golpe veio no final.
Quando o juiz encerrou a partida, a torcida exigiu ver a súmula. Afinal, quem ganhou? Quem perdeu? Quais foram os lances registrados? Mas os bandeirinhas, em uma operação relâmpago, desapareceram com o documento. Sumiu. Evaporou. Não havia mais prova, não havia mais jogo. Só a palavra do juiz, que declarou:
— Vitória! E sem contestação!
A torcida se olhou, perplexa. Que campeonato era esse?
Saíram do estádio com a sensação de que o futebol havia morrido naquele dia. Mas, no fundo, sabiam que o jogo verdadeiro não acontecia dentro das quatro linhas. Ele estava agora nas ruas, nas praças, nas vozes que ainda insistiam em gritar:
"Não acabou! Não acabou!"
Porque uma final injusta nunca é o fim da história. É só o começo da revolta.
Por Zé da Flauta
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