Vivemos tempos curiosos: nunca estivemos tão bem-informados e, ao mesmo tempo, tão perdidos. É notícia de todo lado, vindo em enxurrada, uma cachoeira de manchetes sobre tudo e mais um pouco. O poeta Jessier Quirino bem disse: vai do acasalamento do mosquito ao atracamento de navio. E não duvide, pois se piscar, já perdeu a história do gafanhoto que virou tendência no Twitter. O problema não é a falta de informação, mas o excesso dela, que nos deixa desnorteados, navegando num oceano de dados sem saber para onde remar.
Credibilidade?
O fenômeno é paradoxal: quanto mais se tenta acompanhar, mais se tem a impressão de que está sempre um passo atrás. Você lê uma análise econômica de manhã, à tarde descobre que tudo mudou e à noite vê alguém dizendo que nada daquilo fazia sentido desde o começo. O noticiário se tornou uma prova de resistência, onde só os mais disciplinados (ou os mais teimosos) conseguem manter a sanidade. E ainda tem a questão da filtragem: o que vale a pena ler? Quem merece credibilidade? Afinal, cada um parece ter sua própria versão do real, e a verdade se tornou um artigo disputado como vaga na sombra ao meio-dia.
Limite
Talvez o segredo esteja em abraçar o desinforme-se estratégico. Manter-se atualizado, claro, mas com parcimônia, escolhendo bem as fontes e, sobretudo, sabendo a hora de fechar a aba do navegador e ir tomar um café. Até porque, no fim das contas, a realidade não precisa de nossa atenção constante para continuar acontecendo. O mundo gira sem a nossa supervisão e, por mais que tentemos, não há como segurar todas as manchetes nas mãos.
Off
Então, ao invés de se preocupar com a avalanche informativa, talvez seja melhor relaxar e aceitar que, inevitavelmente, estaremos sempre um pouco por fora de alguma coisa. A sabedoria moderna pode estar justamente em saber o que ignorar. Afinal, se até o mosquito tem seu tempo para acasalar e o navio para atracar, por que nós não podemos ter o nosso tempo para desligar?
Até a próxima!
Zé da flauta é músico, produtor musical e escritor.
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